domingo, outubro 29, 2006

Promoção da Obra Literária e Disputagem Comercial dos Escribois e das Escrivacas


A propósito da lógica das vedetas literárias de primeira água portuguesa, inicia-se a segunda fase do curso e-learning sobre Promoção da Obra Literária e Disputagem Comercial dos Escribois e das Escrivacas. Sendo, ou não, nefasto ao espírito do ser humano, o livro infame é o mais vendável num sucinto espaço de tempo.
Apreende-se, que as obras de literatura afiada que nos bombardeiam com verdades e conspirações são acolhidas por uma juventude tola, que sustenta as alegorias da caverna de Platão. O grave é que tal literatura é protegida por uma geração mais idosa em que a sonsice, o discurso neo-europeu e o paradigma de se ser culto é um be-bop à marmita de uma minoria indignada, pensante e silenciosa.
O facto, é que todo o escriboi(vaca), tem a sua recompensa e fatia de sucesso por tamanha piroseira editada. O enredo e frases atómicas levam à absorção de todas as empregadas de centro comercial, utentes da Carris e do Metro, falsas mães de família infiéis, clássicas excêntricas, população masculina com perturbações do orgasmo, homens que usam meias até ao joelho, que se sentem sozinhos e tentam reprimir a sua rebarbadice.
Miguel Sousa Tavares pretendeu meter os portugueses a ler, o Cabeças com Asas pretende colocar os portugueses a escrever, a bem do saber nacional, em missão solidária pela cultura de massas e sem subsídios do Ministério da Cultura.

Princípios e Conselhos a Reter Sobre: Promoção da Obra Literária e Disputagem Comercial

- Compreender que o livro é um legado valiosíssimo para a humanidade, porém nos tempos actuais não interessa em absoluto para nada.

- A obra literária é sobretudo um veículo de projectar o escriboi(vaca) junto dos media e dos leitores deserdados de cultura e favorecidos de dívidas financeiras.

- É primordial que o escriboi(vaca) seja um excelente penetra, um general vitorioso nas crapulices do meio editorial e mestre na barbárie da dissimulação.

- As discrepâncias, incoerências e plágios não são uma vergonha. São dignificantes e uma forma de marketing da obra do escriboi(vaca).

- A personalidade e o modo de estar do escriboi(vaca) tem de ser um reflexo contínuo da personalidade, da instrução qualificada, experiência e cultura que os editores e livreiros possuem. Nota, não adianta justificarem que a publicação de livros cretinos e decadentes são estratégias para custear bons livros que uma minoria lê.

- Se possível, anunciar a obra calamitosa um ano antes noutra editora, fazer trapalhices brutais, uma encenação real de espionagem editorial, ficar familiarizado com o meio editorial e apostar na editora do amigo de traduções vergonhosas, capas florais e desconhecimento em artes gráficas.

- Em literatura light a comercialização da obra não é permitido o fenómeno da cerebrelização. A escrita, a divulgação e a venda foca-se somente na consciência anatómica das partes baixas ocultas.

- A luz da ribalta e a publicidade luminosa é conseguida através do esforço árduo do autor na promoção do seu trabalho, ou seja, há que impulsionar a própria vaidade, e oprimir ou gratificar o cardápio de referências, as designadas cunhas.

- O escriboi(vaca) e o editor cúmplice devem ter em sua posse uma agenda de amigos jornalistas e fotógrafos do jet 7.

- Há que alimentar um certo suspense não em torno da obra merdosa mas sim, do escriboi(vaca). O público tem de desejar conhecer a vida íntima, o meio social, a história clínica, história fodal e relações amorosas impossíveis do autor.

- É igualmente indispensável uma pós-graduação na arte de dominar os cordeiros pseudo intelectuais.

Como Identificar um Cordeiro Pseudo Intelectual?

Figuras susceptíveis de se vislumbrar a ideia de infinito concentrada na estupidez natural de criaturas humanas.

Em geral são réplicas fisionómicas, e de estilo, de modelos tão antagónicos e próximos como: Miguel Portas e Paulo Portas.

Figuras que usam bigode, lenços, gravatas às cornucópias ou cabelo despenteado.

O Público, o Jornal de Letras, o Le Figaro e o Courrier Internacional funcionam como acessório de moda.

Idiossincrasias à parte, o engendro de se viver nos extremos é um modo de hipocrisia e o sustento do próprio vício de se ser intruja, isto é, um orgulho por se deambular em cenários do Bloco de Esquerda ou CDS/PP.

15 Passos para Lançamentos e Divulgações de Sucesso

1 – O espaço escolhido para o evento deve ter uma amplitude mediana para que haja sempre “casa cheia”;

2 – Divulgar o lançamento nos meios de comunicação social, livreiros e livrarias das grandes superfícies comerciais;

3 – Há que manter óptimas relações com o forrobodó da pretensa elite portuguesa. São excelentes animadores em qualquer lançamento fastidioso com as suas aldrabadas acerca de uma obra literária;

4 – A expressão corporal e facial, bem como, a elocução oral e imagem devem estar em consonância com os seguintes estereótipos: fashion, putéfia rasca, escanzelada sem prestigio francês, figura humilde autodidacta, metrossexual, quarentão divorciado de sorriso amarelo, ser-se aparentemente inteligente e de humor idiota;

5 – Os lançamentos devem ser à tarde ao final do dia;

6 – Caso se opte por um lançamento em bom estilo revista Caras, deve-se difundir ao máximo o evento “socialite”, sendo obrigatório o uso do livro do escriboi(vaca) na mão ou debaixo do braço durante todo o evento;

7 – Para um lançamento literário ser “de gritos” e bombástico, há que garantir que pelo menos compareçam 15 amigos, 10 conhecidos e 5 vizinhos. Os colegas de trabalho é um mal a evitar;

8 – A presença da figura paterna na divulgação e esclarecimento da obra é uma fiança grotesca para dar credibilidade à obra, ao garganta funda e ao autor de camisas aos quadrados cada vez mais magro;

9 – O beberete, o cocktail é sempre um atractivo, o pessoal de letras e restante sociedade são bichos esfomeados que anseiam por caca;

10 – Convêm um padrinho ou madrinha estar incumbido de demagogia literária, enfiar o barrete ao público numa total ausência de criticas literárias. Haja lugar para disseminar virtudes e o carácter sábio;

11 – Em opção deve existir uma figura na qualidade de amigo de hora de lançamento, que marque o evento com frases ultrajantes tais como (existem piores):

- “Vendeu-se milhares nos E.U.A..” (o livro nem sequer foi editado no estrangeiro…);

- “É uma obra-prima.” (segundo um actor de telenovela da TVI que nunca leu o livro…);

- “É um best-seller.” (o livro tinha saído no dia anterior…);

- “É um escritor brilhante.” (nunca ninguém leu e viu o gajo tão ou menos gordo na vida…).

12 – Promover uma descentralização de cultura bimba sob o triunfo de “pluma caprichosa” e discutir o êxito da obra à la mode do programa “Eixo do Mal”;

13 – O manuseamento dos tops por portas travessas é uma probabilidade para uma terceira edição garantida do livro;

14 – Projectar que o livro vai na 10ª edição, embora na realidade a obra se situa na 4ª edição (talvez conte para efeitos numéricos e contabilísticos os livros que são oferecidos aos amigos);

15 – As entrevistas aos meios de comunicação social são expressamente obrigatórias. É útil cair no ridículo, estar desprovido de factos verídicos nas obras de não-ficção. É desejável rebaixar a concorrência e ser uma máquina de não honestidade sob o paradoxo de personna culta que caceteia o público burrinho.

Duas Citações de Cartola a Usar em Qualquer Lançamento

"Só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo." Eça de Queirós.

"A literatura não é senão uma das críticas multíplices manufacturas da liberdade." Latino Coelho


Conclusão

A carreira literária do escriboi(vaca) é garantida quando o primeiro livro é um ícone de desprezo pela cultura de um país que ainda, mantém a tradição genética de importar ideias e inovações dos outros. Saliente-se que a moda de literatura supérflua de supermercado foi um mal necessário. Este fenómeno social veio reunir os anti-especialistas, bem como, críticos literários não vendáveis no que concerne à questão do terrorismo mental da vulgaridade literária, face a uma sociedade que se rege por estatísticas, sujeitos que usam cuecas fio-dental e cornudos(as). As coisas interessantes e as pátrias intelectuais são ignoradas, ou a sua existência é desconhecida. Pois, todo o comportamento desviante e o livre-arbítrio do indivíduo são aglutinados. Mais uma vez, todos os que habitam nos extremos da sociedade globalizada e massificada que negam chavões são sempre anulados. Haja coesão e sobrevivência do grupo dizem. Penso que não se deve censurar os escroques da palavra e da escrita, seria um atentado à própria concepção de livre-arbítrio. Todavia, ciente que não saber nada é o caminho mais fácil para a maioria dos seres humanos sobreviverem, considero que os escribois(vacas) são exemplos que podem auxiliar a combater a nossa irracionalidade, diferenciarmo-nos dos demais animais e começar a pensar. Mas, aqueles que desafiam o pensamento, mais dia menos dia, acabam por ganhar uma viagem sem regresso ao manicómio.

8 comentários:

Anónimo disse...

O teu melhor texto até hoje, está esplendido.
Personal Jesus ;)

aquehoras disse...

Era uma vez um gajo. Saiu de casa cedo. Foi trabalhar. Almoçou com amigos. Voltou ao trabalho. Fez coffee break. Voltou ao trabalho. Saiu do trabalho. Avançou para casa. Parou na taberna. Bebeu uma cerveja. Olhou para uma gaja. Depois outra gaja. Pagou a cerveja. Foi para casa. Entrou em casa. Saiu de casa. Faltava mel. Foi comprar. Comprou o mel. Foi para casa. Não viu um carro. Foi atropelado. Morreu.

Estou a treinar para escrever livros infantis. Tenho futuro não tenho?

Anónimo disse...

Nuna aprendi tanto em tão pouco tempo sobre o modo como me promover. Seguirei os teus conselhos.

Nevrótica Aluada disse...

Olha, olha o personal Jesus em exageros por cá, obrigada... :)))

Nevrótica Aluada disse...

Zé do talho, estou surpreendida contigo, entre a Dica da Semana e o Dan Brown, calculo que tenha sido uma escolha complicadita.
Mais uma coisita… se vens aqui publicitar e promover o teu produto exijo já uma comissão!

Nevrótica Aluada disse...

A que horas,

é comovente a densidade psicológica da personagem que criaste… um autêntico Winnie the Pooh taberneiro e suicidário com um q.b. de tragédia grega, um cheirito de ultra-romantismo e um par de sustentáculos na contemporaneidade.

Mas, estava aqui em diálogo semi-aberto e perguntei: “Óóó botão, este rapaz por acaso não terá andado a plagiar o Estouvado Cardoso de Alguidares de Baixo?” -e até agora estou à espera do feedback do botão de punho do “Paulo Voltas”. :P

Nevrótica Aluada disse...

Henrique, quem é amiga da cultura quem é? Qual dupla Maria Carrilho e Barbara Guimarães, qual Zita Seabra e biografias de Lenine…

aquehoras disse...

Ééééé… pááááááá… Estouvado Cardoso de Alguidares de Baixo? Plagiado? Pelo A Que Horas? Ó Paulo, responde lá aqui à Nevrótica.

“Tenha santa paciência”

Ó Paulo, vá lá!!!

“Já disse que não. Cada coisa no seu lugar”

Vá lá!!!

“Nnnnnnão!!!”

Não vale a pena.