sábado, novembro 25, 2006

Se Uns São Passivos, Outros Fumam Cigarros


De facto é mais fácil legalizar do que legitimar, continuo à espera de uma explicação razoável acerca do Processo de Bolonha. O conformismo dos estudantes portugueses está a causar-me náuseas, entropia a minha que uma licenciatura de 3 anos não será preterida pelo patronato por uma de 4 ou 5 anos, os estágios são uma miragem, os politécnicos um erro, o 12º ano foi uma ilusão, o + 23 um delírio inventivo do Governo e os mestrados uma alavanca de argent. O subterfúgio da mobilização é mandar à merda uma pátria, a globalização uma desculpa para tudo.
O Processo de Bolonha só me leva a uma conclusão: as Universidades Públicas e Privadas são carteiristas de caviar. Parece-nos evidente o negócio da China.
Se afirmam que século XX foi de servidão, este novo século é um eclipse de homens livres.

Destino das Palavras e dos Homens

Se a relação com o mundo externo não cessa, devo dizer que perdi a minha lupa e desliguei-me por momentos do país caquéctico, da blogosfera e marquei encontro com a mão-de-obra local do país real.
Não, não acordo às seis da manhã como o Durão Barroso, nem cometo o suicídio do não ser ao dar razão aos escroques da imprensa, somente ouvi dizer que em 10 valores há 1000 crenças e 10000 atitudes. Era uma vez, um sistema de valores em crise a par de uma economia em crise, sejam inúteis que o taxímetro das atitudes está avariado. Voltei por momentos…

segunda-feira, novembro 13, 2006

Tão Longe e Tão Perto da Vida Política, ó Santana

Depois de Carrilho, até que enfim chegou ao mercado literário o livro pelo qual ansiava, um livro que vem devolver a verdade sobre os factos, clarificar a vida politica de há dois anos atrás, elucidar os portugueses e salvar o "coiro" com savoir-vivre. É notoriamente um livro surpreendente, tem letras, tem palavras, frases e pontuação ortográfica. Para além disso, rico em revelações bombásticas, Sampaio foi um banana e Cavaco o mau da fita. Percepções e Realidade, promete ser o best-seller deste contador de estórias da sociedade portuguesa, Pedro Santana Lopes, com o patrocínio amigo de Zita Seabra.

Observação: ler com “serenidade”.

Psicanálise Socialista

Por teorias freudianas alistadas ao congresso socialista, Sócrates, o reconfirmado contestado atesta que “as reformas que são necessárias vão para a frente para modernizar Portugal”, prevê-se já em 2007 um colapso da função pública, da geração morangos, dos falsos democratas do 25 de Abril e daqueles que não cumprem os objectivos do cargo, ai sim seria um Portugal não moderno mas, mais equitativo e, pelo menos, mais inteligente. Se os socialistas têm a chapa desgastada de lavagem mental ao povo adiado, hoje de manhã encontrei um e-mail que sugeriu este tipo de lavagem cerebral:Caramba e fez-se luz! Agora compreendo qual é psicanálise que José Sócrates se refere no que concerne às críticas e tipos de lavagens cerebrais dos militantes do partido socialista. Sou forçada a dizer que a maioria do ser humano opta, ou gostaria de optar, por estas psicanálises de esquerda.

domingo, novembro 12, 2006

Elemento Água - II

A Concha

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.

A minha casa… Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.

Vitorino Nemésio

sábado, novembro 11, 2006

Intermitências da Lucidez, Cinematografia e um Coelho


Ora bem, a obra saramaguiana vai de vento em popa, em entrevista a José Carlos de Vasconcelos no Jornal de Letras, acerca do último livro As Pequenas Memórias, somos testemunhas da mestria, da eleição cuidada de palavras de José Saramago ao longo da entrevista: “De facto, duvidei se devia ou não tocar em certas coisas. Toquei, está tocado, não sei se fiz bem ou mal.” – no mínimo extasiante.
O Nobel português da Literatura também anunciou que, o Ensaio sobre a Cegueira vai ser adaptado ao cinema pelo realizador brasileiro Fernando Meirelles, e entre o elenco de actores interessados encontram-se, não Diogo Infante, muito menos Rogério Samora mas sim, Brad Pitt!
Igualmente por não estreias cinematográficas, relembro que no passado Luís Miguel Rocha, o “escritor encantado” como designa Filipe d’Avilez na sua crítica da revista Os Meus Livros, afirmou na RTP que O Último Papa seria adaptado ao cinema recheado de estrelas de Hollywood mas, para quando não se sabe... Talvez se trate de uma película caseira produzida pela Saída de Emergência.
Em contrapartida, o Cabeças com Asas converteu-se em espia telepático e entrou em contacto com os pensamentos mais íntimos de Prado Coelho, sobre a adaptação do Ensaio sobre a Cegueira ao cinema, que passamos a transmitir:
Foda-se, manifesto a minha displicência e profunda exacerbação quanto a esse sujeito que andou às voltas com o Memorial do Convento, é sobretudo dilacerante que na minha intermitente memória fui um miúdo sentimental, bem sei que Saramago, em represália deplorada, plagiou o meu sonho secreto de Blimunda nos meus braços a esmiúça-la em registo copulatório letrado. Tal façanha remeteu-me para a prática do onanismo literário. Esse Saramago foi um tipo levado dos diabos! Sob uma capa existencial agónica e impassibilidade no meio capitalista, é sabido que o idealismo comunista foi apenas uma teratologia de segunda infância que desencadeou o estado estuporoso presente nos seus romances, a santidade do clímax é algo raro, e o esfreganço cultural uma miragem. Por sua vez, o meu cognitivismo-masturbatório expresso na minha capacidade intelectual diante da possessão metafórica sádica, do masoquismo na temática cinematográfica, investido em excitação neuronal isenta de ejaculação literária, é de todo irrazoável, inconcebível em não optarem por Beatriz Batarda como protagonista ideal para o Ensaio sobre a Cegueira, Blindness, bastava somente virá-la ao contrário e já tinha bigode.

Elemento Água

Tudo declinou
a lua há muito tempo
e a tua praia
já não há luzes acesas
sei que estás presente
nunca mais voltarás a ser
nem os meus gritos
nem a minha surdez
te comovem a ponto de eu ver

todas as palavras que ainda faço
toda a chuva que invoco
tudo isso se afasta
pois vi-te afastares-te
a este caminho não regressas
tu nem eu

e quando a chuva vier
e quando o vento abrandar
fica comigo
se perco pessoas
a ti não te perco
nem na multidão
nem na chuva
nem entre palavras

posso querer cantar querer dançar
mas tu tens de estar morto
estar onde eu não te alcanço
estar onde não te posso perder

Eva Christina Zeller

Magusto

À míngua das tardes de Novembro, na hora rasa da noite, em voz apagada e por fumos descoreografados, por toda a cidade habitam os vendedores de castanhas…
Pelo São Martinho vai à adega e prova o teu vinho, o facto é que a chuva parou e o Verão voltou, pronuncio de fertilidade e sabedoria? Regressem as festas agrícolas e prova-se o vinho de forma mais leve, a água-pé e fica-se com música tradicional mirandesa Galandum Galanduina (click para ouvir).

terça-feira, novembro 07, 2006

Passatempo com Asas

Descubra as Semelhanças
Portugal assolado por inundações

José Sócrates no debate do Orçamento de Estado ("Orçamento da verdade") para 2007

domingo, novembro 05, 2006

Questões Referendárias

The Birth, Mark Ryden
A despenalização da prática abortiva é uma das questões de relevante interesse nacional, que estão na ordem do dia, entre a "deputagem", o Tribunal Constitucional, os media, as esquinas dos quiosques, os cafés do bairro e no seio das famílias portuguesas, onde o NÃO impera e, o SIM é motivo de violência e cacetada verbal doméstica.
Controvérsias fora de bordo, é certo e sabido que estamos perante uma questão delicada. Discussões na outra margem, também é previsível e experienciado que o bom e sensível cidadão português em questões problemáticas, e que sejam objecto de referendo, atende em democracia directa a descartar a responsabilidade e a dar de pinote. Que se lixem as gajas, a humanidade e os efeitos vinculativos (recorde-se que no passado referendo apenas 31% do eleitorado foi às urnas).
Por contemplações lascivas, ou talvez não, é insociável que existam questões referendárias que merecem ser lançadas para cima de qualquer futura mesa do IKEA de Paços de Ferreira, tais como:

- Concorda que em determinados casos as mães devem fechar as pernas na hora do parto?

- Concorda com a interrupção bucal nos primeiros três segundos dos discursos de Cavaco Silva?

- Concorda com a interrupção dos mandatos dos autarcas que ganham dinheiro com a mesma facilidade que um empreiteiro?

- Concorda com a interrupção involuntária do programa "Eixo do Mal" quando a Clara Ferreira Alves respira?

- Concorda com a interrupção voluntária do Processo de Bolonha?

- Concorda com a despenalização da canabis e consequente gravidez indesejada?

- Concorda com a despenalização de condução com álcool acima do estipulado por lei na medida em que o português é um animal que aceita morrer em prazer (álcool, estupefacientes, prozac, vinho verde, crédito, jogo, velocidade)?

- Concorda com a introdução no calendário anual dos feriados religiosos das respectivas religiões presentes no território português?

- Concorda que se a culpa morre solteira a ética e a língua do Coelho e dos socialistas em geral devem ser guilhotinadas?

- Concorda com a prática da eutanásia a entidades dotadas de poder executivo e legislativo mas, desprovidas de personalidade jurídica e que coloquem em causa o pérfido nome da justiça portuguesa e a péssima qualidade de vida dos portugueses?
O que quer que se diga, o egoísmo das diversas partes e as causas de uma determinada sociedade, muitas das vezes, não são as causas de toda e una Humanidade.

terça-feira, outubro 31, 2006

domingo, outubro 29, 2006

Promoção da Obra Literária e Disputagem Comercial dos Escribois e das Escrivacas


A propósito da lógica das vedetas literárias de primeira água portuguesa, inicia-se a segunda fase do curso e-learning sobre Promoção da Obra Literária e Disputagem Comercial dos Escribois e das Escrivacas. Sendo, ou não, nefasto ao espírito do ser humano, o livro infame é o mais vendável num sucinto espaço de tempo.
Apreende-se, que as obras de literatura afiada que nos bombardeiam com verdades e conspirações são acolhidas por uma juventude tola, que sustenta as alegorias da caverna de Platão. O grave é que tal literatura é protegida por uma geração mais idosa em que a sonsice, o discurso neo-europeu e o paradigma de se ser culto é um be-bop à marmita de uma minoria indignada, pensante e silenciosa.
O facto, é que todo o escriboi(vaca), tem a sua recompensa e fatia de sucesso por tamanha piroseira editada. O enredo e frases atómicas levam à absorção de todas as empregadas de centro comercial, utentes da Carris e do Metro, falsas mães de família infiéis, clássicas excêntricas, população masculina com perturbações do orgasmo, homens que usam meias até ao joelho, que se sentem sozinhos e tentam reprimir a sua rebarbadice.
Miguel Sousa Tavares pretendeu meter os portugueses a ler, o Cabeças com Asas pretende colocar os portugueses a escrever, a bem do saber nacional, em missão solidária pela cultura de massas e sem subsídios do Ministério da Cultura.

Princípios e Conselhos a Reter Sobre: Promoção da Obra Literária e Disputagem Comercial

- Compreender que o livro é um legado valiosíssimo para a humanidade, porém nos tempos actuais não interessa em absoluto para nada.

- A obra literária é sobretudo um veículo de projectar o escriboi(vaca) junto dos media e dos leitores deserdados de cultura e favorecidos de dívidas financeiras.

- É primordial que o escriboi(vaca) seja um excelente penetra, um general vitorioso nas crapulices do meio editorial e mestre na barbárie da dissimulação.

- As discrepâncias, incoerências e plágios não são uma vergonha. São dignificantes e uma forma de marketing da obra do escriboi(vaca).

- A personalidade e o modo de estar do escriboi(vaca) tem de ser um reflexo contínuo da personalidade, da instrução qualificada, experiência e cultura que os editores e livreiros possuem. Nota, não adianta justificarem que a publicação de livros cretinos e decadentes são estratégias para custear bons livros que uma minoria lê.

- Se possível, anunciar a obra calamitosa um ano antes noutra editora, fazer trapalhices brutais, uma encenação real de espionagem editorial, ficar familiarizado com o meio editorial e apostar na editora do amigo de traduções vergonhosas, capas florais e desconhecimento em artes gráficas.

- Em literatura light a comercialização da obra não é permitido o fenómeno da cerebrelização. A escrita, a divulgação e a venda foca-se somente na consciência anatómica das partes baixas ocultas.

- A luz da ribalta e a publicidade luminosa é conseguida através do esforço árduo do autor na promoção do seu trabalho, ou seja, há que impulsionar a própria vaidade, e oprimir ou gratificar o cardápio de referências, as designadas cunhas.

- O escriboi(vaca) e o editor cúmplice devem ter em sua posse uma agenda de amigos jornalistas e fotógrafos do jet 7.

- Há que alimentar um certo suspense não em torno da obra merdosa mas sim, do escriboi(vaca). O público tem de desejar conhecer a vida íntima, o meio social, a história clínica, história fodal e relações amorosas impossíveis do autor.

- É igualmente indispensável uma pós-graduação na arte de dominar os cordeiros pseudo intelectuais.

Como Identificar um Cordeiro Pseudo Intelectual?

Figuras susceptíveis de se vislumbrar a ideia de infinito concentrada na estupidez natural de criaturas humanas.

Em geral são réplicas fisionómicas, e de estilo, de modelos tão antagónicos e próximos como: Miguel Portas e Paulo Portas.

Figuras que usam bigode, lenços, gravatas às cornucópias ou cabelo despenteado.

O Público, o Jornal de Letras, o Le Figaro e o Courrier Internacional funcionam como acessório de moda.

Idiossincrasias à parte, o engendro de se viver nos extremos é um modo de hipocrisia e o sustento do próprio vício de se ser intruja, isto é, um orgulho por se deambular em cenários do Bloco de Esquerda ou CDS/PP.

15 Passos para Lançamentos e Divulgações de Sucesso

1 – O espaço escolhido para o evento deve ter uma amplitude mediana para que haja sempre “casa cheia”;

2 – Divulgar o lançamento nos meios de comunicação social, livreiros e livrarias das grandes superfícies comerciais;

3 – Há que manter óptimas relações com o forrobodó da pretensa elite portuguesa. São excelentes animadores em qualquer lançamento fastidioso com as suas aldrabadas acerca de uma obra literária;

4 – A expressão corporal e facial, bem como, a elocução oral e imagem devem estar em consonância com os seguintes estereótipos: fashion, putéfia rasca, escanzelada sem prestigio francês, figura humilde autodidacta, metrossexual, quarentão divorciado de sorriso amarelo, ser-se aparentemente inteligente e de humor idiota;

5 – Os lançamentos devem ser à tarde ao final do dia;

6 – Caso se opte por um lançamento em bom estilo revista Caras, deve-se difundir ao máximo o evento “socialite”, sendo obrigatório o uso do livro do escriboi(vaca) na mão ou debaixo do braço durante todo o evento;

7 – Para um lançamento literário ser “de gritos” e bombástico, há que garantir que pelo menos compareçam 15 amigos, 10 conhecidos e 5 vizinhos. Os colegas de trabalho é um mal a evitar;

8 – A presença da figura paterna na divulgação e esclarecimento da obra é uma fiança grotesca para dar credibilidade à obra, ao garganta funda e ao autor de camisas aos quadrados cada vez mais magro;

9 – O beberete, o cocktail é sempre um atractivo, o pessoal de letras e restante sociedade são bichos esfomeados que anseiam por caca;

10 – Convêm um padrinho ou madrinha estar incumbido de demagogia literária, enfiar o barrete ao público numa total ausência de criticas literárias. Haja lugar para disseminar virtudes e o carácter sábio;

11 – Em opção deve existir uma figura na qualidade de amigo de hora de lançamento, que marque o evento com frases ultrajantes tais como (existem piores):

- “Vendeu-se milhares nos E.U.A..” (o livro nem sequer foi editado no estrangeiro…);

- “É uma obra-prima.” (segundo um actor de telenovela da TVI que nunca leu o livro…);

- “É um best-seller.” (o livro tinha saído no dia anterior…);

- “É um escritor brilhante.” (nunca ninguém leu e viu o gajo tão ou menos gordo na vida…).

12 – Promover uma descentralização de cultura bimba sob o triunfo de “pluma caprichosa” e discutir o êxito da obra à la mode do programa “Eixo do Mal”;

13 – O manuseamento dos tops por portas travessas é uma probabilidade para uma terceira edição garantida do livro;

14 – Projectar que o livro vai na 10ª edição, embora na realidade a obra se situa na 4ª edição (talvez conte para efeitos numéricos e contabilísticos os livros que são oferecidos aos amigos);

15 – As entrevistas aos meios de comunicação social são expressamente obrigatórias. É útil cair no ridículo, estar desprovido de factos verídicos nas obras de não-ficção. É desejável rebaixar a concorrência e ser uma máquina de não honestidade sob o paradoxo de personna culta que caceteia o público burrinho.

Duas Citações de Cartola a Usar em Qualquer Lançamento

"Só um livro é capaz de fazer a eternidade de um povo." Eça de Queirós.

"A literatura não é senão uma das críticas multíplices manufacturas da liberdade." Latino Coelho


Conclusão

A carreira literária do escriboi(vaca) é garantida quando o primeiro livro é um ícone de desprezo pela cultura de um país que ainda, mantém a tradição genética de importar ideias e inovações dos outros. Saliente-se que a moda de literatura supérflua de supermercado foi um mal necessário. Este fenómeno social veio reunir os anti-especialistas, bem como, críticos literários não vendáveis no que concerne à questão do terrorismo mental da vulgaridade literária, face a uma sociedade que se rege por estatísticas, sujeitos que usam cuecas fio-dental e cornudos(as). As coisas interessantes e as pátrias intelectuais são ignoradas, ou a sua existência é desconhecida. Pois, todo o comportamento desviante e o livre-arbítrio do indivíduo são aglutinados. Mais uma vez, todos os que habitam nos extremos da sociedade globalizada e massificada que negam chavões são sempre anulados. Haja coesão e sobrevivência do grupo dizem. Penso que não se deve censurar os escroques da palavra e da escrita, seria um atentado à própria concepção de livre-arbítrio. Todavia, ciente que não saber nada é o caminho mais fácil para a maioria dos seres humanos sobreviverem, considero que os escribois(vacas) são exemplos que podem auxiliar a combater a nossa irracionalidade, diferenciarmo-nos dos demais animais e começar a pensar. Mas, aqueles que desafiam o pensamento, mais dia menos dia, acabam por ganhar uma viagem sem regresso ao manicómio.

domingo, outubro 22, 2006

Constatações Heterossexuais

Como solteirona que sou, ontem a minha situação de estado civil conduziu-me ao desequilíbrio do meu ego, que se revolucionou em apuros depressivos e chocolateiros, perante o mundo civilizado das compras de Sábado. Estava a mademoiselle, eu própria, no El Corte Inglés e senti uma inveja enorme dos vários casais na faixa etária dos vinte e trinta anos de idade, que ostentam alianças de 5 cm de iluminação, a passearem tranquilamente no andar das decorações, efeitos e presépios, prósperos para a quadra da família, para a esperada época natalícia, enquanto uma gaja foi ali, por acaso, comprar meias e lingerie no limiar do fetiche. De facto, o amor é um sonho belíssimo e a emancipação feminina que tanto aclamam, é uma impotência tão grave como uma perturbação do orgasmo.

sábado, outubro 21, 2006

Entre-temps, Cinéma en Ville

De 4 de Outubro a 21 de Novembro, decorre a 7º Festa do Cinema Francês em mais de seis cidades portuguesas. O encontro deste festival cinéfilo é marcado por 32 longas metragens. Destaca-se a segunda parte do evento cinéfilo, a ser inaugurado no próximo dia 26 de Outubro, na Cinemateca portuguesa e Instituto Franco-Português. Ao abrigo de 20 filmes, que compõem a história da “Les Cahiers du Cinéma”, dos anos 50 aos nossos dias. Entre clássicas e recentes metragens, propõe-se percorrer a revista emblemática cinéfila reconhecida além fronteiras europeias, e que encerra um exponencial de interesses estéticos, conteúdos políticos, que beneficia ou objecta as obras e autores de cinema. Para os interessados, informações em: http://www.festadocinemafrances.com/.

quarta-feira, outubro 18, 2006

À Luz do Romantismo...


e visto que somos CULPADOS, cá por casa, resolveu-se adoptar o uso da vela, estamos a criar um cenário hipnótico medieval, preparamo-nos para adquirir velinhas em todos os tamanhos e feitios, nas mais diversas cores, com ou sem cheiro, com a certeza que o ambiente familiar será ainda mais produtivo em investidas ofegantes, não há nada melhor que corpos nus. A televisão será preterida por teatrinhos, marionetas e sombras projectadas na parede, sessões de leitura, recitais de poesia e musicais domésticos. Os jantares irrisórios vão ser modificados para movimentos luminosos e nostálgicos, de olhos semicerrados, onde se regista o fenómeno do diálogo fluente, cenas idílicas e epicuristas durante um período não cronometrado. O uso da Internet será limitado, pretendemos a curto prazo uma EDP happy hour. Em sentido decrépito pensamos igualmente dedicarmo-nos a rituais satânicos em oposição ao Governo e, pessoas em geral, por quem não nutrimos empatia e para um descanso revigorante e inversor, duplica-se o opium e a fada verde.

domingo, outubro 15, 2006

O Papa Não Foi Asfixiado, Os Leitores É Que São...

Em vacilações de êxtase incongruentes, no reino literário da macaca católica, nas repreensíveis verdades de um núcleo duro não humanista, divulgo mais uma pérola, para ouvir ao som desta música (click para ouvir), daquele que é o nº. 1 dos tops nacionais à frente do enfadonho Paulo Coelho e da cândida e circunspecta Isabele Allende, a magnificência do não êxito em Itália editado pela Cavallo di Ferro, grande editora com meia dúzia de títulos lusófonos traduzidos, mais uma entrevista ruinosa daquele que é considerado o little portuguese Dan Brown ao Sunday Herald. Tenham em conta a alta inflação verbal desta frase de Luís Miguel Rocha, de uma translucidez e credibilidade medonha e, em jeito de limpar o próprio cu, “The credibility of my book depends on the credibility of this source”.
Força little portuguese Dan Brown, contínua que a brigada do Vaticano está quase, quase a pronunciar-se e a tua "conta choruda" (como afirmaste na RTP nuerte) vai crescer a bom ver numa parcialidade cretina.

sábado, outubro 14, 2006

Anti-absurdo ou Sistema Maravilha


Calculo que tenham sentido saudades minhas mas, o tempo é um bem escasso e sofro de uma desorganização na categoria dos caprichos e prazeres que não me permitem actualizar e efectuar as minhas exposições penetrativo-galopantes que acompanham a crise apocalíptico-contínua do país. Perdão… fustiguem-me por um riso incontrolável! A razoabilidade dos factos e o após reuniões a 212 quilómetros por hora, levaram ao fim da crise acérrima declarada pelo Ministro Manuel Pinho! Tragam os confetis porque o IKEA em Paços de Ferreira é a salvação abrupta. Já se avizinha o embaraço dos portugueses nos próximos meses em despender os milhões de euros depositados na conta e, todos os cidadãos a pagarem os impostos devidos. Perdão… fustiguem-me de novo que os anormais que compõem o Governo é que são vocacionados para gastar os milhões de euros. Quanto à maioria dos portugueses resta-lhes saber que a questão é “quanto é que a economia portuguesa vai crescer”.
Outra situação que me caustica, e causa-me uma ligeira comichão no couro cabeludo é o processo de Bolonha, um processo mal enjorcado ao serviço da U.E.. Manifesto o meu agrado quanto ao polifacetismo dos Senhores Professores Doutores portugueses que nos impingem nas faculdades, Professores esses versados em todas as cadeiras, especialistas em todas as matérias, tratam-se de pequenos Nunos Rogeiros em directo para as Sic's notícias do ensino, monstros da academia, autênticos tapa-buracos em prol da benéfica formação aberrante dos alunos. Será o degredo total? Não sei… todavia, sinto-me ligeiramente humilhada e inferiorizada nesta virtual hierarquia do saber. Fechando os olhos, cause I’m sensible person, not a incredible machine, consigo compreender que os cavalheiros académicos têm de… ganhar a vida, mas eu já tenho uma e convosco “amigos” fica num oito! Além Europa, imprudências administrativas e professores falsificados made in Portugal, existem sempre figuras brilhantes e bem sucedidas que, em linha pragmática, contribuem para o polimento de mentes mentecaptas e anulam um mesmerismo infiltrado numa sociedade que se quer imperativamente obtusa. Para os tipos de comportamento turístico, a chatice destes tempos modernos do ensino superior, é que anteriormente o pessoal tinha 4 horas de aulas e 8 horas de borga, com Bolonha a fanfarronice inverteu-se.

domingo, outubro 08, 2006

Como Ser um Escriboi ou uma Escrivaca em 5 Minutos


O Cabeças com Asas este fim-de-semana reservou uma pequena surpresa para os leitores deste blogue. Aprovado pela APEL (Associação Putativa Escrito Leviana) proporcionamos este curso de Como ser um Escriboi ou uma Escrivaca em 5 Minutos. O curso e-learning, destina-se a todos aqueles que pretendem ser um escritor ontologicamente pós-moderno-fatela, reconhecido pelos media-labregos e público português outorgador.

Os requisitos mínimos necessários ao perfil de Escriboi(vaca) são os seguintes:
1 - Não usufrui e desconhece as capacidades encefálicas
2 - Ser irreversivelmente irritante;
3 - Não saber nada de nada;
4 - Refractário na trapaça;
5 - Acrobata pródigo na prosa plagiada;
6 - Pretensioso e não intelectual;
7 - Notoriedade pró imbecilidade;
8 - Hereditariedade intelectual manolo-francesa ou degeneração intelectual da América do Sul;
9 - Importação de referências literárias ocidentais de população feminina submissa como: Danielle Steel, Amanda Quick, Nora Roberts e os famosos romances-de-cordel da Harlequin;
10 - Ser licenciado pelas agruras, relações sexuais e sacanices que comete;
11 - Ter lido os Maias de Eça de Queirós no ensino Secundário;
12 - Ter lido aos 16 anos de idade o Memorial do Convento de José Saramago e achar-se capaz de escrever prodígios maiores (como o Dan Brown português);
13 - Dizer que o filho tem os olhos de cor de piscina (Rebelo Pinto);
14 – Possuir um léxico de 2000-3000 vocábulos;
15 - Obrigatório ter na prateleira maioritariamente livros da Oficina do Livro e do Tiago Rebelo, evidencie-se da Margarida Rebelo Pinto, ou travar conhecimento e profunda amizade com um garganta funda;
16 – Utilizar estratégias que desencadeiam a perda de tempo, escrevinhar a pensar no público não autónomo, não pensante;
17 – Ser abominável em termos literários para uma minoria;
18 - Desequilibrado, ninfomaníaca e psicopata;
19 – Ser esperto, de certo modo vender-se.

Primeira Prelecção
Ignorar de todo o conceito de inteligência e utilidade de um livro;

Segunda Prelecção
Escrevinhar com base na técnica proficiência ruminante indigente e prosa escassa segundo os métodos, passo a divulgar:
- Diálogo de café;
- Colecção primavera/verão 2007 de luxo;
- Sentimentos em estado líquido e standardizados;
- Conselhos Cosmopolitan,
- Método de 3 em 3 parágrafos uma citação celebérrima;
- Método copy paste;
- Método selecção de obras integrais de autores norte-americanos.

Terceira Prelecção
O género literário deve ser susceptível de ter diversas designações tais como:
- Ficção;
- Não ficção;
- Ficção não não ficção;
- Não ficção garganta funda;
- Literatura light;
- Romance coitus interruptus;
- Novelas clinex.

Quarta Prelecção
Escrevinhar uma obra literária totalmente péssima, aldrabada, insensata, deprimente, repleta de gajas não carismáticas, muito non-sense, cheia de Don Juans, amantes, homens ricos, homens fashions, cabrões, coitadinhas e coitadinhos.
Escrevinhar de acordo com a pequenez do povo imitador, que lê o que lhe é imposto e incutido. Partir do princípio que o público é otário.

Quinta Prelecção
A temática e o enredo devem ser simples, redundante, supérfluo e ejaculatório. Centrar-se em latentes projecções pessoais e teores libidinais no limiar do pornográfico, poligamias expressas, triângulos amorosos, centros de estética, bons restaurantes e hotéis, coca, uísque de 20 anos ou mais, viagens, novos-ricos, famílias tradicionais, putas, escândalos, má sorte e mau olhado, prejudicar outrem, promoções profissionais a custo zero, depressão, morte de figuras públicas, factos políticos inexplicáveis, pinceladas de eventos culturais e fenómenos sociais não científicos.
Nota, se pretende um modelo científico tipo Clara Pinto Correia, há que plagiar um americano. Caso eleja um modelo Clara Ferreira Alves, há que manter relações fluido-nhanhosas com pseudo intelectuais, políticos, editores, jornalistas, passar sempre a mão no ombro da velhada e citar uns quantos gajos que a maioria do público desconhece, deste modo, sem hipótese para cometer erro.

Sexta Prelecção
Escrevinhar como se fosse uma elocução oral, utilizar as mesmas palavras de 3 em 3 parágrafos, esquecer os nomes das personagens e o enredo.
Predominação de frases sem conteúdo semântico para encher chouriço e, para traduzir uma ideia quanto ao modo, disposição e maneira, empregar de 2 em 2 frases, o sufixo adverbial “-mente” (amavelmente, habitualmente, facilmente, lindamente…) como o Miguel Sousa Tavares. A gramática é dispensável porque ignorantia differt ab errore. A vulgaridade é necessária, as ordinarices são empregues para dar ênfase à coisa. A descrição das personagens é nula ou pormenorizada de maneira a que cada personagem corresponda a um capítulo.

Sétima e Última Prelecção
Não fazer uma revisão do original. Enviar para o editor amigo, uma mão lava a outra, uma prestação de um favor há muito pedido. Marcar a reunião, trocar dois dedos de conversa e fluídos. Solução de recurso, pagar do seu bolsito a própria edição.
No próximo fim-de-semana não percam mais um curso e-learning sobre lançamentos e comercialização das obras literárias dos Escribois e das Escrivacas com o patrocínio do onanismo literário.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Transparências Enubladas


Elogio o oportunismo pródigo-musical do discurso do PR, Cavaco Silva, contra os capachos da corrupção no feriado da Instauração da República Portuguesa. Foi a justificação perfeita para a realidade de uma não República, que apreende, uma classe política, função pública, quadros e sociedade civil que logram em fazer carreira na surripice, autonomia de vícios malignos, maviosidade em atraiçoar, egocentrismo imundo, justiça obliqua, impostores, incompetentes de costas-quentes, partidários da cunha que enchem os bolsos. A República (coisa pública) de hoje é uma merda ditatorial encapotada, o voto um atentado ao grupo colectivo, o idealismo um enrabador mental e a soberania é inexistente.

Condição Humana

À luz de uma estrela pequenina

Peço desculpa ao acaso por lhe chamar necessidade.
Peço desculpa à necessidade se todavia me engano.
Não se zangue a felicidade por a tomar como minha.
Esqueçam-se de mim os mortos porque já mal se me esboçam na
memória.
Peço desculpa ao tempo pela quantidade de mundo que por segundo omito.
Peço desculpa a um amor antigo por considerar este novo o primeiro.
Perdoem-me as guerras longínquas o trazer flores para casa.
Perdoem-me vós, feridas abertas, por me ter picado num dedo.
Peço perdão a quem grita do abismo por este disco de um minuete.
Peço desculpa às gentes nas estações, pelo meu sonho às cinco da manhã.
Sinto muito rir-me às vezes, ó esperanças perseguidas!
Sinto muito, deserto, não correr uma gota de água.
E tu, gavião, há tantos anos o mesmo, nessa mesma gaiola,
de olhos fixos sempre no mesmo ponto, sempre imóvel,
desculpa-me, mesmo se fores ave empalhada.
Desculpa-me, árvores cortada, as quatro pernas da mesa.
Desculpem-me as grandes questões pelas respostas pequenas.
Verdade, não me prestes uma atenção forte de mais.
Coragem, concede-me a generosidade.
Tolera, mistério do ser, o eu depenicar linhas da cauda do teu vestido.
Não me acuses, alma, por tão raro te ter.
Que o tudo me desculpe eu não poder estar em toda a parte.
Quem me desculpem todos, por não saber ser um e uma.
Eu sei que, enquanto viver, nada me justifica, pois eu própria a mim
sirvo de estorvo.
Não me leves a mal, fala, eu requisitar termos patéticos,
e acrescentar depois dificuldade, para que pareçam leves.

Wislawa Szymborska, in Paisagem com Grão de Areia, Relógio d'Água, 1998.

terça-feira, outubro 03, 2006

Insondável Volúpia


Aprecio quem me envia e-mails a divulgar a ambiguidade do ser humano, num mundo moderno que se pretende e, que se procura, falsamente espiritualizar. Mas, os impulsos são imperativos e, o homem, uma besta esclavagista sem ordem moral. Para muitos é um domínio patológico, para outros, o antagonismo é uma luminescente coreografia da luxúria, a bendita submissão avassaladora ao prazer. Em erotismo directo, por saliências epicuristas, habitando o lado obscuro, mais uma The Gathering Party, no Santiago Alquimista.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Hoje...

ingressei na fantástica viagem do Processo de Bolonha e posso afirmar que me sinto uma efectiva cobaia. Estou certa, que já em 2010, vamos ser um dos países europeus melhor qualificados e mais competitivos. Está tudo previsto…

domingo, outubro 01, 2006

Últimas Considerações à Nabice "Literária"


Muitos pensam que estou obcecada. Os mais inteligentes discorrem que o fiasco do Dan Brown português é uma portaria ao escárnio. Outros podem acusar-me de enfatuação verbal dedicada à idiotice de um jovem “escritor”, que se embute numa carapaça de “autodidacta”, escondendo a sua hipercerebração manhosa. Poucos afirmam que as camisas aos quadradinhos piquenique de Luís Miguel Rocha, são o meu objecto recente de fetiche.

Na passada Sexta-Feira, por volta das 19h30, peguei em mim, e fui apreciar a vinda do circo pobre à cidade, ou seja, fui até ao lançamento da embustice de O Último Papa, que foi contemplado por uma escassa plateia. Permitam-me, que quase adivinhe, que a plateia era composta exclusivamente pela equipa editorial, alguns amigos, distribuidores da “obra”, seguidores de José Viegas e um ou dois curiosos.

Devo dizer que não se registou literalmente uma liturgia de lambe cus, em paradoxo, assistiu-se a uma espécie de velório à consentida putrefacção e leviandade literária, encerrada num cenário musical, aquém do esotérico e distante do mórbido. O holofote dirigiu-se para uma projecção do “escritor” em que, se subentendia, um bajulamento doméstico ensaiado, uma glória à conspiração que, afinal, resulta numa mixórdia de ficção e verdade segundo o mesmo. Por outras palavras, assistiu-se a um trilhar civilizado do emergente “escritor” parvónio, que se espalha ao comprido no dia do lançamento e, na sua entrevista ao Público de Sábado e noutros meios de comunicação social. Contudo, apenas marquei presença no lançamento por breves momentos e, retirei-me, devido à minha falta de paciência para conjecturas não verosímeis, para ouvir gente monocórdica que nada sabe, diversos custos de oportunidade, porque advogo uma rentabilização do meu tempo precioso, ausência de público, um beberete desgraçado, uma tremenda dolência pelo uso das ruínas do Convento do Carmo como espaço para uma embustice, a colocação dos poucos livros não estavam dispostos segundo o Feng Shui, porque não corroboro com estratégias de marketing e há que preterir por uma ida ao Bairro Alto para um tilintar de copos. Mas, face à minha teimosia insubordinada, obrigo-me, mais uma vez, a formular algumas considerações de maior interesse.

Há que criticar, novamente, o exibicionismo desmedido, bem como, as ilações relativas ao sucesso do livro pois podem ser uma armadilha como se verificou esta Sexta-Feira. Por isso, advirto o “escritor” criativo para controlar a sua gula pelo protagonismo e pela ribalta, de forma a melhor satisfazer a sua ambição injustificável.

Observe-se também, que o cartaz de O Último Papa, graças ao sensacionalismo, assemelhava-se a uma apresentação de um livro fantástico com requintes de malvadez, que tenta atemorizar “agora, outros inocentes vão morrer” e dirigido a um público de jovens adolescentes.

No que respeita à fraca adesão do público, aconselho de forma desinteressada, que para um eventual lançamento póstumo, este deve ser realizado num espaço consideravelmente menos amplo, para que se pareça que a sala está repleta de leitores e convidados, com o objectivo de não se atingir a latitude do insucesso da coisa.

Quanto ao Luís Miguel Rocha considerar-se um escritor autodidacta, ou seja, aquele que aprende sem mestre, as pessoas partem do princípio, que haja da parte do “escritor” um aproveitamento condecoroso das suas capacidades cognitivas e intelectuais e, que lhe seja reconhecido o mérito e, não pulhices e escândalos, sobretudo, ao evidenciar um discurso descabido, incoerente que despreza a inteligência do público leitor.

Por conseguinte, devo mencionar que não basta romancear as conspirações. Em vez de se apresentar justificações das trapalhadas, é preciso anunciar uma simplificação acessível dos factos ao público e, não afirmar que a “obra literária” é, no final de contas, uma mistura de ficção com a verdade. Recordo que numa entrevista que o “escritor” concedeu à RTP, afirma que a diferença entre O Código Da Vinci e O Último Papa é que este não é um livro de ficção!

É igualmente hilariante a dispersão pela intrujice, saber-se que a editora Saída de Emergência efectuou uma tiragem de 30 mil exemplares de O Último Papa numa primeira edição. Note-se, que as tiragens no nosso país são entre mil e dois mil exemplares devido ao nosso pequeno mercado. Assim, suspeita-se a confirmação que esta gente não é de todo pragmática, desconhece o mercado literário português ou, subestimam as avaliações do público leitor e da concorrência editorial.

A palhaçada ainda é maior quando, o jovem “escritor” emergente, assume que lhe foi imposto escrever o livro com a missão de revelar a verdade às pessoas. Subentendo que tal afirmação é um insulto à inteligência de outrem, uma demonstração de desonestidade perversa ao esconder as suas intenções pretensiosas e de um descaramento atroz. Não sei… mas, enquanto estive presente no lançamento não dei conta que um sujeito estivesse a apontar uma arma ao Luís Miguel Rocha, pelo contrário, lá estava o “escritor” a regozijar-se com seu discurso de trazer por casa.

Calculo também, que o pequeno Dan Brown português ao declarar que “vivemos numa realidade ficcionada”, per si, é uma óptima razão para se atingir a realidade translúcida e não elaborar uma sobreposição ficcionada.

Note-se, que Luís Miguel Rocha ainda dá cartas na invenção de designar a sua fonte de “garganta funda” ao que podemos descortinar, numa suposição audaz, que se trata de uma homenagem à película pornográfica Garganta Funda e aos seus tempos de puberdade. Ou será que o autor quer fazer deste espectáculo um Watergate case?

Num desenvolvimento extraordinário dos acontecimentos, o emergente “escritor” declara ao Corriere della Sera e aos media portugueses, que conhece o assassino e que este lhe entregou em sua posse os documentos que confirmam o assassínio do Papa João Paulo I. Logo, se algum dia se se confirmar tamanha tramóia, Luís Miguel Rocha pode ser acusado de má fé e, como ilicitamente colaborou no encobrimento dos devaneios de um homicida, obstruiu e usurpou a verdade dos factos. Absurdo por absurdo, até já se pode antever um novo policial literário.

O “escritor” autodidacta, na sua abençoada impertinência e habitual estupidificação, diz que não se preocupa com a credibilidade dos documentos nem dos factos. Parece que não se deu ao trabalho de realizar um trabalho de investigação e apurar a autenticidade dos mesmos. Actualmente ousa entregar a investigação nas mãos dos jornalistas, isto é, “toca a passar a pasta”. Em contradição, o autor inepto, desde 2005 difunde e garante escrever toda a verdade sobre o assassinato do Papa e que o livro, mais uma vez, não se tratava de uma obra de ficção.

Constate-se igualmente, que Luís Miguel Rocha a priori veio dizer que o seu “livro” seria editado em 50 países, presentemente, vai ser publicado em 22 países.
Mas, o editor incutido pela gabarolice, igualmente “mete os pés pelas mãos”. Se antes afirmava que o Dan Brown escreveria e iria reconhecer o autor inábil com uma frasezita na contracapa, tal não se verificou.

Quanto a Francisco Viegas, um intelectual estimado, perdeu prestígio ao "apadrinhar" Luís Miguel Rocha. Orienta-se por um discurso de anulação de responsabilidade ao considerar que todo este alarido é uma tese que espera estar documentada. Embora, exista a probabilidade de tudo ser desmentido a curto prazo. Quanto às qualidades literárias e referências do jovem autodidacta essas são inteiramente desconhecidas e não apreciadas.

Em resumo e sem lamentações, como é sabido nos tempos hodiernos o requisito exigido para se alcançar o êxito comercial, é apenas escrever sobre tudo, TUDO, excepto a verdade. Por tudo isto, vender papel por vender, manter a indústria da conspiração por manter, mais vale cuspir na nossa sociedade civilizada que se prepara para atingir o estado de uma nova ditadura radicada na negação de pensar, discernir, reflectir e concluir. Diversos personagens aproveitam-se desta situação e consideram, mais uma vez, que o público é uma abjecta marioneta obtusa susceptível de ser chulada.

sábado, setembro 30, 2006

Entre o Rato e Belém


Edmond Rostand dizia que “um grande amor só pode existir à sombra de um grande sonho”, contudo, face a um movimento alegre socialista e, porque as conspirações e conjecturas são uma saída de emergência para denegrir o outro, neste caso o malévolo Cavaco, contrariando a reposição de uma verdade equitativa, Helena Roseta alinha pela pródiga moda da conspiração e das cabalas ao entregar, para o próximo congresso do partido da rosa, uma moção inpirada no contrato presidencial de Manuel Alegre, contra a grotesca conjectura de um bloco central PS-PSD orquestrado por Belém, visando apurar a identidade do seu partido. Não obstante, sem entrar em censuras, ao abrigo da minha sensibilidade, comovo-me com esta mulher de causas, a apoiante perene de Manuel Alegre, o eterno coupe de foudre rosa, implique que, um grande amor antigo só pode existir à sombra de uma grande teoria da conspiração.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Acrescento à Nabice "Literária"

É sem dúvida censurável que divulgue o livro bombástico de 2006 O Último Papa de Luís Miguel Rocha e, não receba um convite pessoal, com lugar privilegiado, entre os editores e aquele intelectual que consentiu que lhe enfiassem o barrete, para o lançamento. Apesar do meu mau feitio, não sou rancorosa, nem me deleito por apresentar um role de queixas insalubres, devo congratular a equipa editorial, e o autor de O Último Papa, pela privação ostentada de traquejo, de inexperiência radicada no pretensiosismo, o desconhecimento do mercado literário e editorial, e o desrespeito pelos colegas editoriais, bem como, o autor em questão do livro O Último Papa de David Osborn, de 2006, editado pela Difel. Longe de mim ser metediça, simplesmente aprecio contemplar as incoerências e as manhosices de quem alimenta o bicho da imbecilidade literária.

domingo, setembro 24, 2006

Liturgia à Nabice "Literária"

Porque é categórico progredir em termos económicos individuais, beneficiando da boa fé e da insipiência de quem ignora que qualquer contacto com uma entidade representativa de Deus e do seu filho é, somente, a manifestação da necessidade de ficar consigo próprio.
Perante este panorama de circuitos psicológicos, da proeminência da dominação da verdade sobre o cosmos e de escarafunchar o poder tentacular, existem gajos degenerados, contrafeitos, sabedores da arte de representação, sub-reptícios, pérfidos e serviçais da sua mente psicopata, que usufruem de um palco internacional brawniano e, que se encontram dispostos a assassinar literariamente o espectáculo music-hall que é a Igreja Católica. Todavia, não se confirmam as fontes de tamanhas conspirações que unicamente um escritor parvónio teve acesso. Tudo é anónimo e sigiloso pois, a coragem e os testículos são elementos desconhecidos. Já sei, justifica-se com perigo de vida. Que emocionante… deveras!
O meu conselho é colocarem as cartas em cima da mesa, accionarem uma clarificação total, detalhada e com dados biográficos, façam uma sublime crucifixação da embustice e da falsidade, e se se registar uma morte prematura, tal figura será recordada eternamente, cria-se um culto ao escritor e, quiçá, eleva-se o gajo a titulo de mártir com direito a feriado nacional.
A obstinação iluminada deste tipo de literatura é um facto social contemporâneo. Pretende-se a eliminação de erros Históricos que se tornam morais mas, que se voltam a repetir. Deste modo, não se reproduz uma revolução de mentes. A estupidificação ainda é um mal geral e reflecte-se imensamente sobre isso.
O deplorável é que se temos o beija-mão romano, na próxima sexta-feira, temos a liturgia de lambe cus do meio pseudo-intelectual português, de gente dotada de verborreia escroque, possuidores de uma inconstestável cretinice e que se afoitam por denunciar a devastação da realidade portuguesa e ocidental. Pois bem, esta gente sabe que temos um público idiota e que faz questão de não saber nada, logo, é garantido que uma resma de folhas seja um best-seller.
Atenção, escusam de ficar apoquentados, a indagação da realidade e a busca da designada verdade, é que todos estamos com os pés para a cova, somos feitos da mesma matéria e donos de flatulências.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Votações Com Asas - I


As Votações com Asas “Este Verão não posso deixar de ler?” encontram-se encerradas. Agradecemos a participação de todos os fiéis leitores e votantes do mirabolante Cabeças Com Asas. Após exaustivas análises estatísticas, exploratórias, comparativas e aplicação de testes não paramétricos apurou-se que o livro escolhido e predilecto para a época balnear 2006 é nada mais, nada menos que: Amar depois Amar-te da pitu, pitu Fátima Lopes. O resultado levou-nos a desenvolver diversas conclusões pressupostas:

1ª - Os leitores deste blogue são na sua maioria indivíduos do sexo feminino com tendências depressivas e que frequentam o CCB;

2ª - Os leitores deste blogue são espectadores assíduos das manhãs da SIC que exercem actividades domésticas ou pura mariconice;

3ª - Os leitores deste blogue nunca ousaram ler um livro na sua humilde existência (os livros escolares não contam para efeitos de análise);

4ª - Os leitores deste blogue ignoram por completo a utilidade de um bom livro e gozam de uma bagagem de 3000 ou 4000 vocábulos;

5ª - Os leitores deste blogue estão a marimbar-se para a cultura proeminente do país;

6ª - Os leitores deste blogue consideraram as restantes opções indigentes e lerdas;

7ª - Os leitores deste blogue votaram numa merda qualquer porque sim;

8ª - Os leitores deste blogue votam de acordo com a prosa bronca, mentecapta e destemperada da Nevrótica Aluada;

9ª - Os leitores deste blogue são uma corja de gente simpática, atenciosa, assertiva, intrépida e sabedores da arte zombeteira.

Note-se, que todos os participantes ganharam uma enciclopédia da História da Literatura Universal em 20 volumes, em hardcover, forrada a couro bordou, com alto-relevo e letra dourada e, com a chancela efectiva de Eça de Queirós, Carlos Mayer, Guerra Junqueiro, António Cândido, Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Carlos Lobo d'Ávila, conde de Arnoso, Marquês de Soveral e Conde de Ficalho. Uma enciclopédia de extremo bom gosto, requintada e que ornamenta qualquer sala-de-estar ou biblioteca, todavia, ainda no prelo sem data prevista.

Mabon Time

terça-feira, setembro 19, 2006

segunda-feira, setembro 18, 2006

Entre Páginas

(...)
– Antigamente, para seu sofrimento, o homem tinha o refúgio da crença. Mas agora?
agora que precisamente...
– ... mas vejam! Exactamente quando mais se prega a libertação do homem, maiores são as tentações da escravidão.
O que era necessário era pois educar o homem na coragem da liberdade. Para a grande massa dos homens, mais custoso que tudo era a própria liberdade. Por isso ostentavam, aliciando-lhes a voz escrava. Porque para o comum das gentes, a vida só se justificava numa dádiva total, fosse ao que fosse: a uma doutrina, a um chefe, a um club de futebol... A dedicação a um club! Eis aí o símbolo perfeito da estupidez humana, da vileza do seu sangue.
– A pior luta para o homem, é talvez a luta contra si...
Porque, na verdade, o homem tinha pressa de alijar de qualquer modo o fardo de si próprio. Sabia que às leis ele as fizera, que os deuses ele os criara e os matara. Mas assim mesmo, tinha medo de ficar sós consigo, como diante de um muro.
O chefe antigo, menos talvez que um chefe, era um delegado: delegado de Deus, da Lei, da Tradição. Sem dúvida, o Delegado confundia-se quase sempre com o Próprio, porque a verdade era o que estava diante dos olhos. Mas justamente o confundir-se era o melhor modo de O não ser. Porque toda a sua pessoa se absorvia na do Outro. Mesmo um rei era Deus, por si próprio, e não por delegação, deixava assim mesmo de ser rei para ser Deus. E um deus, sim, adorava-se. Mas um chefe moderno não é um deus...
– Pois bem: nós queremos afirmar a vitória total de cada homem. Não deitar a perder o esforço da liberdade. Ter coragem de saber que os valores conquistados pelo homem são realmente valores humanos com o sinal da sua mortal condição. Não converter em mitos, em saudade dos deuses, precisamente o que conquistámos para os destruir. Termos a resignação corajosa de saber que a Razão não tem corpo de mulher, que a liberdade não é uma alegoria. Saber enfim que um Chefe é apenas um homem experiente e sabedor, um companheiro mais capaz – mas só isso. Desprezarmos portanto quem julga que um Chefe não tem ossos e tripas como nós, o traz em estampas como crentes beatos, e que lhe coscuvilha a vida e sabe de cor os hábitos que tem, o número de pedras de casa onde nasceu e os traques que vai dando pelo dia adiante... Se os deuses morreram, porquê a humilhação de os ressuscitar? Que a libertação do homem seja total, atinja o que há nele de mais nobre. Era o que eu tinha a dizer.
(...)
Vergílio Ferreira in Apelo da Noite, Bertrand Editora, 1989.

Lovely Duet

Travelling Light - Tindersticks feat. Carla Torgerson of The Walkabouts

domingo, setembro 17, 2006

Por Páginas Solarengas

Portanto, um jornal que vale por si, que não oferece brindes nem promoções à primeira vista, uauuu um outsider! À segunda vista, repara-se que o Sol anda a brilhar constantemente para a mesma gentinha dotada de smart talk, uauuu! À terceira vista conclui-se, it's the same old shit e porra pah a Amarante, a Rebelo Pinto, os Portas e a Carla Hilário no mesmo pacote!? Foge...
De maneira que deixo o meu manifesto não de primeira página:
O Sol será um jornal bizantino mas não blasonado, beateiro mas não boateiro, favorecedor mas não polipartidário, arguto mas não inteligente, corrompido mas não subjugado, pacífico mas não desopressor, previsível mas não autocéfalo, delimitado mas não contrafeito.
O Sol será, também, um jornal emparvecido mas não difamatório, esclavagista mas não transgressor, polidor mas não desprestigiante, consensual mas não indecente, anacrónico mas não saciado, confiante mas não peremptório, recente mas não antioxidante, histrião mas não nulo.
O Sol será, ainda, um jornal explícito mas não excelente, evidente mas não predominante, prescindível mas não insolente, esgotável mas não ideal, imenso mas não martirizador.
O Sol será, finalmente, um jornal antimnésico mas não obsoleto, influenciável mas não biscateiro, sectário mas não contraveneno, regularizador mas não estruturalista, sem carisma mas análogo.

Water, o Esperado


Na esteira da trilogia dos elementos terrestres Fire, Earth segue-se a esperada estreia em cartaz de Water da cineasta indiana Deepa Mehta, radicada no Canadá. Water é um filme sublime, luminoso, sensível e tocante. Os cenários e a qualidade de imagem são extraordinários, imperam os azuis turquesa, amarelos e vermelhos. O filme, apesar de ser uma obra de ficção, expõe de forma extraordinária a realidade das viúvas da Índia colonial dos anos 30, contando a história da encantadora e inteligente Chuyia, uma jovem noiva hindu que tem apenas 8 anos de idade. Quando o marido morre, a inocente Chuyia vai ficar aprisionada às tradições religiosas: as pulseiras são quebradas, a cabeça é rapada, veste um sari branco, a única veste permitida para uma pária “impura” e é mandada para um refúgio de viúvas, um ashram, onde deve ficar para sempre, sem comunicar com a família, outras crianças, mulheres e homens, à excepçao, das restantes companheiras viúvas.
O ashram é uma casa que protege e auxilia as viúvas desamparadas e obriga a pedirem perdão pelos seus pecados. O único festival que podem celebrar é o Holi. As viúvas são consideradas uma responsabilidade e um fardo para as famílias as sustentarem, uma ameaça à apropriação dos bens do falecido marido e são consideradas mulheres sexualmente perigosas. Todavia, a pequena Chuyia vai conviver com as restantes viúvas de condição adulta na esperança vã que a sua mãe a virá buscar, mais cedo ou mais tarde.
Ao longo do filme conhecemos as histórias pessoais das viúvas: a velhinha que vive no ashram desde os 7 anos de idade e cujo único sonho é comer novamente um dos doces que provou na cerimónia do seu casamento, Shakuntala é uma mulher de meia idade, inteligente e astuta que sofre ao percepcionar que está a envelhecer e vive dividida entre a revolta pela sua situação, pela compreensão das tradições e o medo de não se comportar de forma adequada. Existe também a poderosa Didi, que é a “chefe” da casa e que desfruta de determinadas regalias e a bela e atractiva Kalyani que aos 17 anos de idade, estando na casa desde os 8, é a única mulher que tem a autorização de usar os cabelos longos, que sustenta as regalias de Didi, como o ashram através da prostituição.

É com a chegada de Chuyia, o amor não bem visto de Kalyani pelo jovem indiano nacionalista Narayana, o suicídio de Kalyani, a revolta de Shakuntala, bem como, o contexto social da Índia em mudança, o questionar das interpretações religiosas que travam o progresso social e os direitos das mulheres e, a ascenção de Ghandi que vai revolver as mentes e o ashram mas sem a garantia de um êxito total.
Ainda hoje existem instituições como esta na Índia, onde não são reconhecidos quaisquer direitos às mulheres. Estimam-se que existem 20 mil viúvas que mendigam à beira do rio Ganges. O censo de 1991 indica que 8% da população feminina da Índia são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas.

Inicialmente, o filme era para ser filmado no país porém, os fundamentalistas hindus opuseram-se gerando tumultos e ameaças de morte à realizadora, obrigando ao cancelamento das filmagens que duraram cinco anos, e que tiveram de continuar no Sri Lanka.
Sob o elemento primordial da água e do seu ciclo, que metaforicamente é o ciclo da vida e da morte, das experiências, da clarificação e da pureza e igualmente, da força destruidora que flúi em direcção à renovação do pensamento e modos de vida.

segunda-feira, setembro 11, 2006

The Summer's Over, It's The Golden Rule

All the kids are going back to school
Nos próximos anos lectivos a miudagem prepara-se deste modo:

Porém...

Primeiramente, antes de qualquer acordo possível, porque não renovar, reestruturar literalmente e arrumar este e, mais este, retardados perpétuos? Não se zanguem... é só uma opina.

Oposição!?

A disponibilidade, os discursos imperativos, os pactos e acordos do froxo do Marques Mendes deve-se simplesmente aos fantásticos:

Indevoções, as Minhas

Face à História contemporânea, o Irão é daqueles países que não exerce um grande fascínio sobre mim, à excepção da cantora Azam Ali, e de ter banido, não pelos motivos devidos, a chachada sanguessuga dos livros do Paulo Coelho para gajas carencidas de movimentos masturbatórios, que pensam que o melhor substituto para o prozac é uma via espiritual cheia de indulgências e castidades, numa amplitude compensatória de um marido comutado e ausente, e porque a torpeza não o permite, recalca-se a fantasia de se ser uma puta.

domingo, setembro 10, 2006

Os Sentidos

Correspondences
La Nature est un temple où de vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.
Comme de longs échos qui de loin se confondent
Dans une ténébreuse et profonde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, les couleurs et les son se répondent.
Il est des parfums frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme les prairies,
- Et d'autres, corrompus, riches et triomphants,
Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le benjoin et l'encens,
Qui chantent les transports de l'esprit et des sens.
Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal

Ninguém Pára o Pinho...

É verdade sim senhor, o gajo que é Ministro da Economia anda ali a esfalfar-se todo, em correria desesperante, bem montado e consciente dos seus aprioris, sofrendo da síndrome de workaholic para o bem capital da vida económica portuguesa. Tenham juízo pah! Não há que guilhotinar o gajo porque anda a 212 quilómetros/hora na A1 na viatura ministerial.

sábado, setembro 09, 2006

Manifestos Surrealistas

Recorde-se Luís Buñuel, o génio cinematográfico na morada da oniricidade de outro grandioso génio, Salvador Dali, e à luz da psicanálise em "Un Chien Andalou" (1929).


Buñuel, o Único

Manoel de Oliveira, aos 97 anos de idade, esconde-se na genialidade e intemporalidade do cineasta surrealista Luís Buñuel (1900-1983) e marca o Festival de Veneza com "Belle Toujours" uma amplificação temporal insinuante, da insinuante obra "Belle de Jour" (1967) de expressão libidinal, entre as fronteiras imprecisas da realidade e da fantasia, com Catherine Deneuve.

Por Veneza


A par do Festival de Veneza, apresento um dos melhores livros que se distingue pela tradição do new journalism, ao estilo de Trauman Capote, uma obra de não-ficção, possuidora de técnicas literárias romancistas, rica no traço das personagens e na descrição de lugares. A Cidade dos Anjos Caídos de John Berendt, autor do bestseller Meia-Noite no Jardim do Bem e do Mal, é um livro de uma narrativa de suspense, mordaz e espirituosa que nos revela a enigmática cidade de Veneza, o seu quotidiano e a influência da maré no humor dos venezianos. Por trás das requintadas fachadas da mais bela cidade histórica do mundo, reina a venalidade, o escândalo e a corrupção. Através do incêndio que destruiu o mítico e lírico Teatro La Fenice, a 29 de Janeiro de 1996, onde tinham estreado cinco obras de Verdi, é o ponto de partida para o autor nos dar a conhecer os novos e velhos habitantes de Veneza, os segredos e a excentricidade da sociedade veneziana que somente está ao alcance de um grupo restrito de figuras e privilegiados como: Henry James, Lorde Byron, Hemingway, Peggy Guggenheim, Ezra Pound, Woody Allen, os príncipes de Kent, o príncipe Aga Khan, Gianni Agnelli, Herbert von Karajan, Archimede Seguso, Ludvico De Luigi e os segredos que envolvem a sociedade Salvar Veneza.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Comunices

Pelo saudosismo Terrorismo de Estado porém, nunca morto, mais uma vez se confirma que a força comunista é um grupo terrorista activo dotado de ataques cirúrgicos psicológicos e, outros ocultos em dimensões físicas, que procuram atingir a estupidificação, a vitória da aquiescência, o grito abafado da carneirada bafienta, a ordem pública ditatorial.
Em nome da célebre frase “A minha liberdade termina quando começa a do outro” consigo ainda manter relações de amizade com gente que pensa que o Avante é uma rave, que nunca me decepcionaram com falta de mortalhas, que a rebeldia é um enfrascamento durante três dias e, com sorte e inconsciência, os panfletos das FARC deram para uns filtros jeitosos.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Homenagem

O cineasta belga Rémy Belvaux, de 40 anos de idade, faleceu esta terça-feira. Regista-se a homenagem ao realizador de um dos melhores filmes de culto europeus C' Est Arrivez Près de Chez Vous – uma obra-prima dos tempos modernos do trio belga Belvaux, Bonzel e Poelvoorde. A vida de um criminoso, aliçercada na contradição de ser um sujeito bem formado, com uma profunda consciência social e que expressa as suas concepções, é acompanhada por uma equipa que elabora um documentário sobre as diversas maneiras de matar, roubar velhinhas ou criancinhas indefesas e de violar, bem como, apresentam o cenário real da sociedade onde ninguém está a salvo dos comportamentos agressivos, e onde o fenómeno da violência é banalizado pelos media. Uma sátira ao nosso modus vivendi.

Família Spot Bancário & Plástico Status

Sem romancear os factos… encontram-se sempre desculpas para um bilhete de férias com as individualidades que andam lá por casa. Férias essas que coexistem com os devaneios de rever gente que, em alguma circunstância, se gerou por equívoco um grau de parentesco que nos une lá para as eternidades da nossa esperança média de vida.

Os dias de el dolce faire niente são ataviados por um protocolo de almocinhos, cházinhos e jantarzinhos com criaturas de contacto dúbio, que usualmente são reencontradas nos casamentos, funerais ou, em concelho económico, com hora marcada para a lamentação e cravanço puro e duro.

Na realidade férias na terrinha, na cidadezinha, tratam-se de sessões de hipocrisia desenvolvidas por abutres e copistas que efectuam uma avaliação económica dos bens móveis e suposições quanto aos imóveis. Inclui também uma consulta raio laser anatómica, seguido do melhor sorriso conseguido às prestações no dentista. Acrescente-se uma catadupa de dietas, operações estica-estica, silicone, apuramentos competitivos quase nipónicos sobre os graus académicos, distorções de savoir-vivre, discussões, futurologias do próximo a casar e, do próximo a morrer e, ainda, uma selecção exaustiva da última moradia terrestre ao fechar dos olhos.
Se a fé move montanhas, nesta caso, a fé não permite um estado de mudança. Condenado é aquele que não mantêm o carácter sagrado do trunfo da família entediante numerosa e de imbecilidade refinada.
A única coisa que constato é que as maiorias, sejam elas quais forem, acabam por ir para o galheiro ou, ficamos mudos desconcertantes.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Pastoreio


Estou numa crise de raíz metafísica-existencial, pelos predomínios ontológicos dos mistérios da Terra, dos desígnios divinos e das devoções alheias ao meu egocentrismo emparvecido.
Não consigo compreender a perseguição cerrada das jovens encalhadas e das idosas de tachas arreganhadas, pregadoras da palavra do Senhor, que insistem em rechear-me de panfletos sobre uma suposta Iluminação divina e, vender-me, à boa moda medieval, um lugarzinho no céu.
Epah... começo a pensar que tenho ar de quem precisa ser exorcizada, de encalhada ou de santa depravada. Das três, uma!
"A sacristia… é dir-se-ia a casa-de-banho da casa do Senhor. Dá para uma pessoa se soltar." Boris Vian